O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou jamais ter recebido valores, seja no Brasil ou no exterior, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Disse ainda que "serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis", nas esferas cível e criminal, contra os responsáveis pelas acusações. A manifestação, por meio de nota divulgada pela Presidência do Sendo, foi emitida após a revista Veja publicar que Alcolumbre teria recebido US$ 30 milhões de Vorcaro - cerca de R$ 155 milhões. O montante, segundo a reportagem, teria sido depositado em uma conta secreta no exterior e repassado ao senador pelo apoio dado a uma demanda de interesse do Banco Master, em transação operada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
"As alegações publicadas pela revista VEJA envolvendo o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, são absolutamente falsas, não procedem e serão enfrentadas com a máxima firmeza", diz a nota emitida pela assessoria da presidência do Senado. E acrescentou: "O senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior. Diante da gravidade das acusações e dos danos causados à sua honra e à sua trajetória pública, serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, para que os responsáveis pelas acusações respondam por suas afirmações e apresentem as provas que dizem possuir". A nota também afirma que "a verdade dos fatos prevalecerá e aqueles que formulam acusações irresponsáveis serão responsabilizados".
Na quinta-feira, a Polícia Federal (PF) comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeitou a segunda proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa de Vorcaro. O movimento já era esperado, como mostrou o Valor. Na avaliação da PF, a colaboração do ex-banqueiro não trouxe fatos que já não tivessem sido mapeados pelos investigadores e que permitissem a expansão das investigações para novas frentes. Além disso, a PF vinha demonstrando incômodo com a postura de Vorcaro nas tratativas.
Na avaliação de investigadores, ele ainda não teria virado totalmente a “chave” para confessar e admitir crimes em suas relações com autoridades. Uma primeira proposta de delação já havia sido rejeitada no mês passado. A Procuradoria-geral da República (PGR), por sua vez, manteve as tratativas com Vorcaro, apesar de não ter considerado suficiente a primeira versão apresentada. Nessa segunda proposta, Vorcaro chegou a apresentar novos fatos e nomes que ainda não haviam sido alvo de operações da PF.
Ainda assim, a corporação considera que os relatos são insuficientes e não avançam em relação ao vasto material que a corporação está analisando e que deve envolver mais políticos. A avaliação neste momento é de que as investigações da Operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro e revelou sua complexa estrutura de fraudes financeiras e relacionamentos com políticos, ainda não chegou “nem na metade” e que a corporação tem informações para seguir avançando. Vorcaro está desde o fim de maio na cela especial criada para o ex-presidente Jair Bolsonaro na Superintendência da PF em Brasília e tem contado com horário diferenciado para receber seus advogados justamente para trabalhar na proposta de delação. Esse tratamento diferenciado foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, com prazo para encerrar nesta sexta-feira (12).
O Valor apurou que, se a PGR considerar que vale seguir nas tratativas com Vorcaro, esse prazo para o ex-banqueiro seguir recebendo seus advogados pode ser prorrogado.