BRB não divulga dentro do prazo o balanço do ano passado

O Banco de Brasília (BRB) convocou, para o próximo dia 22, uma nova assembleia para votar a ampliação do capital social do banco – o que pode ajudar a recuperar a situação patrimonial da instituição.

A assembleia servirá, também, para homologar a indicação do atual presidente, Nelson Antônio de Souza, e do executivo Joaquim Lima de Oliveira como conselheiros do BRB. Essa formalização está pendente desde o fim do ano passado.

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"O BRB reafirma seu compromisso com a transparência, a governança corporativa e a adequada prestação de informações ao mercado", diz o comunicado.

Uma assembleia de acionistas com a mesma pauta tinha sido convocada pelo BRB para 18 de março, mas foi cancelada na noite anterior.

O motivo foi a insegurança jurídica causada pelo vaivém de decisões judiciais sobre os imóveis públicos que o governo do DF pretende usar para capitalizar o banco.

O BRB também anunciou, na noite desta terça-feira, que não cumprirá o prazo definido em lei para divulgar o balanço consolidado de 2025.

A legislação brasileira prevê que todas as instituições financeiras no país têm até o fim de março para divulgar suas demonstrações financeiras do ano anterior. O prazo termina às 23h59 desta terça.

No comunicado de "fato relevante", o BRB informou aos acionistas e ao mercado que a divulgação será postergada em razão da necessidade:

"de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação 'Compliance Zero';

"da adequada avaliação, pela Administração da Companhia e pelo Auditor Independente, de seus potenciais impactos."

"A medida visa assegurar a fidedignidade, transparência e integridade das demonstrações financeiras, em observância aos deveres legais e fiduciários da Administração e à proteção dos interesses da Companhia e de seus acionistas", diz o comunicado.

"A apreciação do tema ocorrerá tão logo concluídas as avaliações e providências em curso, mediante convocação específica para a continuidade da Assembleia Geral Ordinária", segue.

Além da divulgação da demonstração financeira anual, os acionistas esperavam que o banco indicasse o pacote de soluções que usará para cobrir os prejuízos acumulados nas transações realizadas com o Banco Master.

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A não divulgação das contas dentro do prazo tende, também, a afetar a confiança de investidores e analistas.

Essa incerteza pode aumentar a volatilidade dos papéis ligados ao banco e pressionar ainda mais a imagem institucional do BRB.

🔎Volatilidade é uma medida econômica que indica a frequência e intensidade das mudanças no valor de um ativo em um período específico. No caso do BRB, a volatilidade pode se refletir nos ativos ligados ao banco, como títulos de dívida, e na percepção de risco do mercado.

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O BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master – operação que passou a ser investigada sob suspeita de fraude.

O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, ou seja, a reserva de segurança que o banco precisa manter em caixa para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária.

Diante do avanço das apurações, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição brasiliense.

A decisão aumentou a pressão sobre a atual gestão do banco público. Com isso, o balanço patrimonial do BRB piorou e colocou em xeque o atendimento do banco às regras em vigor no país.

Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado.

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