A Natura anunciou na segunda-feira (30) uma reestruturação em sua governança, dando início ao que a empresa descreve como um "novo ciclo estratégico". A mudança envolve alterações na composição do Conselho de Administração e a criação de um novo órgão consultivo.

Como parte dessa transição, os três fundadores da empresa — Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos — deixarão suas cadeiras no Conselho de Administração.

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Eles passarão a integrar um novo Conselho Consultivo estatutário, que terá como função acompanhar a trajetória da companhia e zelar pela preservação de seus valores e de sua cultura empresarial.

Além dos fundadores, o atual presidente do conselho (chairman), Fabio Barbosa, também deixará o órgão para integrar o novo colegiado consultivo.

Segundo a empresa, esse conselho não terá funções executivas nem poder de decisão, atuando como um espaço voltado à preservação da identidade institucional da marca.

Em comunicado ao mercado, a Natura afirmou que o novo órgão atuará como “guardião da cultura, dos valores e do legado que definem a essência da companhia”, função que ficará sob responsabilidade dos fundadores e de Barbosa.

Enquanto isso, o Conselho de Administração passará por uma recomposição completa para um mandato de dois anos. Alessandro Carlucci, que já atuava como conselheiro independente, foi indicado para assumir a presidência do colegiado.

A proposta de nova composição inclui nomes que já participam da operação da companhia, como Duda Kertesz, João Paulo Ferreira — atual CEO — e o próprio Carlucci.

A lista também traz novos integrantes, entre eles Pedro Villares, Guilherme Passos e Luiz Guerra, além de Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto.

Ao mesmo tempo, Bruno Rocha e Gilberto Mifano deixarão o conselho. Mifano, no entanto, continuará à frente do comitê de auditoria e finanças da empresa.

A reorganização ocorre após um período de simplificação corporativa e reorganização da estrutura de capital da companhia.

Segundo a Natura, a nova estrutura busca separar de forma mais clara dois papéis: a execução da estratégia de negócios, atribuída ao conselho de administração, e a preservação da cultura da empresa, que ficará a cargo do conselho consultivo.

Paralelamente às mudanças na governança, os principais acionistas da Natura firmaram um novo acordo com prazo inicial de dez anos, prorrogável por mais dez.

O acordo substitui o documento anterior, cujo prazo terminaria em 31 de março de 2026, e reúne os chamados “blocos” de acionistas que representam os fundadores e outros investidores históricos.

Entre eles estão o Bloco Seabra, representado por Antonio Luiz da Cunha Seabra; o Bloco Leal, representado por Guilherme Peirão Leal; e o Bloco Passos, representado por Pedro Luiz Barreiros Passos. Também participam o Bloco Pinotti, representado por Vinicius Pinotti, e o Bloco Mattos, representado por Maria Heli Dalla Colletta de Mattos.

Segundo a empresa, o novo acordo mantém inalteradas as participações acionárias desses grupos e reafirma o compromisso de longo prazo com a companhia.

As mudanças também estão ligadas à possível entrada de um novo investidor. A Natura firmou um compromisso vinculante com o fundo Lotus, gerido pela Advent International, para a compra de uma participação minoritária na empresa.

O acordo prevê que a Advent adquira entre 8% e 10% das ações da Natura no mercado secundário dentro de um prazo de até seis meses. A operação considera um preço alvo médio de R$ 9,75 por ação.

Caso o investidor atinja a participação mínima de 8%, terá o direito de indicar dois membros para o Conselho de Administração e participar de comitês de assessoramento.

Nesse cenário, o conselho poderá ser ampliado para até dez integrantes. O acordo também prevê uma estrutura que combine conselheiros indicados pelos acionistas controladores, representantes do investidor e membros independentes.

Para a empresa, a reorganização da governança e a entrada do novo parceiro fazem parte da estratégia de preparar a companhia para um novo ciclo de crescimento.

“A celebração do novo acordo reafirma o compromisso dos acionistas com o futuro da Natura e com a continuidade do projeto empresarial”, afirmou a companhia, por meio de comunicado ao mercado.

Estande da Natura é destaque em edição paulistana do Festival Negritudes.