A venda da unidade de cimento da siderúrgica CSN entra na reta final com um possível entrave: o preço pedido pela empresa, considerado acima do esperado e capaz de reduzir o número de interessados, disseram à Reuters três pessoas próximas ao processo. Confira os resultados e indicadores da CSN e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 A CSN apresentou, neste ano, um amplo plano de desinvestimentos centrado em sua divisão de cimento e em uma possível venda de participação minoritária em seu negócio de infraestrutura, buscando reduzir o endividamento. No entanto, com a aproximação do prazo de 7 de agosto para a apresentação de propostas vinculantes pela unidade de cimento, as diferenças entre as expectativas de valor do negócio ficaram mais evidentes, disseram as fontes.

A CSN está buscando entre R$ 13 bilhões e R$ 14 bilhões pela unidade, acima da faixa de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões que vários licitantes esperavam, acrescentaram. A CSN informou à Reuters, nesta quinta-feira (18), que as propostas vinculantes para a unidade de cimento devem ser recebidas na primeira metade de agosto, com previsão de assinatura do contrato de venda no terceiro trimestre. A CSN acrescentou que, por questões de confidencialidade, não faz comentários sobre participantes específicos do processo de due diligence, mas afirmou que o grupo de possíveis interessados é diverso e reúne agentes relevantes do Brasil, da Ásia e da Europa. A siderúrgica também disse que, conforme anunciado no início de 2026, o programa de desinvestimentos está relacionado ao processo de desalavancagem, com potencial de geração de recursos entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, considerando todos os movimentos em curso.

Mas o caminho para a conclusão desses negócios pode não ser simples. Entre as empresas chinesas que vinham avaliando a unidade de cimento da CSN, pelo menos uma, a Anhui Conch Cement, neste momento, já não é mais vista como uma participante provável da próxima fase do processo, disseram as três fontes. “Os grupos chineses estão tendo dificuldades com o preço”, disse uma das pessoas. Huaxin Cement e Sinoma International também estão negociando com a CSN, mas ainda não se sabe se irão para a fase de apresentação de propostas vinculantes, acrescentaram as fontes.

Duas das fontes disseram que uma grande acionista da Huaxin está resistindo a avançar para a etapa seguinte. No entanto, uma terceira fonte afirmou que a empresa chinesa continua conduzindo sua diligência na cimenteira e ainda pode apresentar uma oferta. Conch, Huaxin e Sinoma não responderam aos pedidos de comentário. Uma das fontes acrescentou que cinco potenciais compradores ainda permanecem interessados na aquisição da unidade de cimento.

Entre as empresas brasileiras, Votorantim e Polimix Concreto ainda estariam no processo de due diligence, embora ainda não se saiba se vão apresentar propostas vinculantes, disseram as fontes. A Votorantim não quis comentar. A Polimix não respondeu a um pedido de comentário. No início deste ano, a Reuters noticiou que a J&F, conglomerado controlador da processadora de carnes JBS, havia se desinteressado pela aquisição da unidade de cimento da CSN porque estava disposta a investir não mais do que cerca de R$ 10 bilhões no negócio.

A CSNiniciou o processo de venda de sua unidade de cimento com o apoio do banco de investimento Morgan Stanley. Procurada, a instituição preferiu não comentar.