Torcedor de Carteirinha: Após AVC, Belony Siviero busca recuperar memórias no Beira-Rio A série Torcedor de Carteirinha conta histórias de pessoas não apenas apaixonadas pelos clubes do Gauchão, mas que contribuem como sócios há longo tempo. Nesta e nas outras reportagens serão apresentados personagens que estão entre os associados mais antigos de cada equipe. No episódio de hoje, conheça a relação de Belony José Siviero, aos 90 anos de idade, com o Inter — De muita coisa eu esqueci — admite Belony José Siviero, sentado à beira do gramado do estádio que ajudou a construir. Ele não lembra mais dos dias em que levou as três filhas para doar tijolos para erguer o Beira-Rio nos anos 1960. As fotos não reavivam a memória. Porém... — Do Inter não esqueço. + Confira a tabela completa do Gauchão Em 2023, um grave AVC levou quase tudo. O clube do coração se manteve presente. As recordações se apagaram, mas os laços de afeto ficaram intactos. Um grave AVC, em 2023, não o impediu de manter os laços de afeto com o Inter Duda Fortes / Agencia RBS Passar pela Avenida Padre Cacique, 891, virou exercício de memória. O Beira-Rio é estímulo. Um lugar central na vida dos Siviero. Aos poucos, jogos, histórias e amigos ganham vida outra vez. Em outros momentos, se apagam. As limitações de locomoção não o impedem de, em dia de jogo, sentar no setor 348, fileira L, cadeira 9, o endereço de seu assento. Seus companheiros de arquibancada desapareceram aos poucos. Uma tropa que se foi, como ele diz. Não foram apenas as filhas que Belony levou ao Beira-Rio. Bom de papo, espraiou por Santa Catarina, Paraná e São Paulo suas amizades. Para os amigos, ele é sinônimo de Inter, e Inter é sinônimo de Belony. Muitos tiveram o privilégio de serem levados por ele ao estádio. Hoje, a filha Rosana é a responsável por acomodá-lo na arquibancada superio — Somos três irmãs e crescemos dentro dessa paixão. Na época da campanha do tijolo para a construção do Beira-Rio, ele nos levava para participar. Nós três ajudávamos a carregar tijolos para a obra do estádio. Ele se tornou uma referência de torcedor do Inter. Falar de Internacional era, para muitos, lembrar do Belony — ressalta. Ele participou da mobilização para doar tijolos com o propósito de erguer o Beira-Rio Duda Fortes / Agencia RBS Munida de uma pasta repleta de documentos que atestam o coloradismo de Belony, ela se aproxima dele para mostrar carteirinhas, fotos e títulos patrimoniais na tentativa de reanimar vivências longínquas. O carinho está no olhar. O cuidado, no tom de voz. — Ele ajudou a construir o estádio e o clube ajudou a reconstruí-lo — se empolga Rosana. Mesmo quando as memórias reacendem, as palavras faltam. Datas viraram apenas um borrão. Desde quando o senhor é colorado — Desde que eu consegui caminhar. Muita coisa que eu fiz foi por intermédio do Internacional. Belony é o terceiro sócio mais antigo da história do clube Duda Fortes / Agencia RBS São 90 anos de Inter. Ainda guri em Erechim, Belony se associou em 26 de agosto de 1948. É o terceiro sócio mais antigo. O dono da cadeira 9.