A Avenida Tenente Coronel Duarte, carinhosamente chamada pelos cuiabanos de Prainha, vai parar. A partir das 19h deste sábado (21), o trecho nevrálgico entre a Avenida Getúlio Vargas e a Estação Ipiranga terá seu fluxo interrompido. Para muitos, é apenas mais um obstáculo no trânsito do fim de semana. Para a análise da GokaNews, este é um dos marcos mais visíveis e importantes de uma transição histórica na mobilidade urbana de Mato Grosso.

A interdição, que deve durar até o meio-dia de domingo, não é obra do acaso. Ela marca o avanço pesado do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) no coração comercial e histórico de Cuiabá. A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) definiu esta janela noturna para realizar a fresagem e o recapeamento das pistas, uma decisão estratégica para poupar o comércio e mitigar o impacto no caótico fluxo diurno.

Mas por que esse simples recapeamento importa tanto? Cuiabá carrega as profundas cicatrizes do fantasma do VLT, um projeto bilionário da Copa do Mundo de 2014 que deixou a cidade rasgada e os cofres públicos sangrando. O fato de que as máquinas estão agora arrancando o asfalto antigo da Prainha para assentar a infraestrutura do BRT representa o fim de um luto urbano. Significa que, após anos de batalhas judiciais e desgaste político, a nova artéria de transporte está fisicamente tomando forma.

O fechamento exige paciência e tática por parte da população. Haverá bloqueios totais, ainda que intermitentes, em cruzamentos estratégicos como o da Avenida Generoso Ponce com a Prainha, estendendo-se até a Rua 13 de Junho, na famosa região da Boca da Onça. O coração da capital sofrerá um leve estrangulamento temporário.

Como sobreviver ao bloqueio? A inteligência no volante será essencial. Quem precisa ir em direção a Várzea Grande deve escapar pela Rua 13 de Junho, descer a Rua Major Gama e buscar a rota segura da Avenida XV de Novembro. Se o destino é a Santa Casa, a grande região do Coxipó ou o CPA, o contragolpe ideal é acessar a Rua Comandante Costa, seguir pela Rua Campo Grande e só então retomar a Prainha na altura do Morro da Luz.

A Semob aconselha evitar a região a todo custo. É uma recomendação sensata. Contudo, observar esses desvios com uma lente mais ampla é fundamental. Cada cone posicionado e cada rua bloqueada neste sábado não são apenas inconveniências; são as dores do crescimento de uma metrópole que tenta corrigir seus erros de planejamento do passado.

Na GokaNews, enxergamos a interdição deste fim de semana como um contrato sendo renovado com o cidadão cuiabano. O trânsito congestionado e as rotas alternativas são o preço imediato a se pagar. A verdadeira cobrança, porém, virá na entrega pontual e na eficiência prometida por este novo corredor. O asfalto será refeito até o domingo. Resta saber se, no longo prazo, a confiança pública também será restaurada.