Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Líder do governo Lula (PT) no Senado e pré-candidato à reeleição, Jaques Wagner, 75, é um dos aliados mais próximos do presidente.

Seu nome chegou a ser cogitado para a disputa do Palácio do Planalto em 2018, mas ele rechaçou a ideia após operação policial em seu apartamento. Nesta quinta-feira (18), Wagner foi alvo de outra ação da PF (Polícia Federal), desta vez relacionada às investigações sobre o Banco Master. O senador foi procurado por meio de sua assessoria, mas não se manifestou até a publicação deste texto. Nascido no Rio de Janeiro, Wagner estudou engenharia civil na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

Em suas campanhas, ele relatou que foi presidente do diretório acadêmico da faculdade, mas, em 1973, sob o risco de ser preso pela ditadura, teve de fugir. Passou por Minas Gerais e depois foi para a Bahia, onde trabalhou no polo petroquímico de Camaçari, na região metropolitana de Salvador. Seu nome aparece em documento de 1975 da extinta Divisão de Segurança e Informações da Petrobras, em relatório que citava sua militância política e contraindicava sua contratação para uma vaga de estágio. "Registra antecedentes políticos ideológicos.

Elemento pertencente ao Partido Comunista do Brasil. Citado em depoimento de vários subversivos como militante da PUC [do Rio de Janeiro]. Contraindicado por esta divisão para fazer um estágio de operador na refinaria Landulpho Alves", diz o texto. Wagner foi presidente do Sindiquímica, sindicato dos trabalhadores químicos e petroquímicos da Bahia, e participou da fundação do PT e da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no estado.

Foi deputado federal por três mandatos, entre 1991 e 2003. No Legislativo, é tido como político moderado e com capacidade de diálogo. Rival em seu estado, Antonio Carlos Magalhães, o ACM, como era conhecido, descreveu-o em 2002 como um político "hábil e competente". A derrota do carlismo na Bahia é o principal trunfo do histórico eleitoral de Wagner.

Aconteceu em 2006, quando ele venceu Paulo Souto, então no PFL, no primeiro turno da disputa pelo governo do estado. O petista governou a Bahia por dois mandatos, de 2007 a 2014, e fez seu sucessor, Rui Costa. Wagner também foi ministro do Trabalho no primeiro mandato de Lula. Em 2005, no auge da crise do mensalão, assumiu a articulação política do governo a pedido do petista.

Na gestão de Dilma Rousseff (PT), esteve à frente das pastas da Defesa e da Casa Civil. Pouco antes de assumir a primeira, defendeu cautela na revisão histórica da ditadura. Numa metáfora, afirmou que a "água suja" da ditadura poderia ser transformada de duas maneiras: jogando a água fora ou ir colocando água limpa aos poucos até que a água suja vá clareando. "Todo mundo que me conhece sabe que eu sou pela segunda forma", declarou.

Quatro anos depois, em 2018, Wagner era o preferido de Lula para liderar a chapa presidencial quando o petista estava preso em Curitiba. O hoje senador, porém, recusou. Repetiu em conversas reservadas a frase: "Não vou substituir Lula". A desistência foi associada por aliados ao fato de ele ter sido, pouco antes, alvo da Operação Cartão Vermelho, que investigou suspeitas ligadas a repasses de empreiteiras na construção e gestão da Arena Fonte Nova, em Salvador.

A PF afirmou à época que o petista teria recebido R$ 82 milhões em propina e doações. Wagner negou as acusações. Na operação, foram apreendidos 15 relógios no apartamento do ex-governador, além de celulares, computadores e documentos. No dia seguinte, Wagner afirmou que os relógios eram réplicas compradas na China.

"Eu gosto de relógio, mas não ligo para marca", disse. Em 2019, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) anulou a operação. O tribunal decidiu que a investigação não era de competência da Justiça Federal, porque os recursos para a reforma do estádio vieram do estado da Bahia, e não da União. Crítico à Lava Jato, o senador também fez autocrítica sobre o PT ao comentar a operação.

Em entrevista à Folha em 2016, quando era chefe da Casa Civil de Dilma, afirmou que o partido usou ferramentas que já eram adotadas por outros partidos e "se lambuzou". Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

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