Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta terça-feira (26) sua ida à Casa Branca, local de trabalho do presidente dos EUA, após aliados do pré-candidato à Presidência do PL dizerem que ele terá um encontro com Donald Trump.

O governo dos EUA ainda não confirmou oficialmente nenhuma reunião de Trump com Flávio. "Estou indo para a Casa Branca", declarou Flávio a jornalistas, enquanto deixava o hotel Willard, em Washington. Mais tarde, o senador divulgou vídeo em rede social dizendo que estava entrando na Casa Branca para ter uma "conversa muito bacana", mas sem revelar com quem ("daqui a pouquinho vocês vão saber", afirmou). Ao sair do hotel, Flávio estava com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo, além de equipe de segurança.

Mais cedo, questionado em relação a um eventual encontro de Flávio com Trump, Eduardo respondeu "à tarde, à tarde", sem dar detalhes. Um possível encontro entre o presidente dos Estados Unidos e o pré-candidato do PL à Presidência foi anunciado na semana passada por aliados do senador, apesar de não haver confirmação oficial da Casa Branca. Flávio chegou em Washington na segunda-feira (25) e está hospedado no hotel cuja diária custa a partir de US$ 500 (cerca de R$ 2.500). Segundo o empresário Paulo Figueiredo, que não está hospedado no mesmo hotel, mas passou parte da manhã no local, foi solicitado junto à embaixada do Brasil uma entrevista coletiva de imprensa por parte da equipe de Flávio.

Ele disse que, como não houve resposta, ela foi marcada para outro local. Figueiredo evitou confirmar a agenda com Trump, mas disse esperar que o Itamaraty tenha atuação "de forma republicana", e não "política". Mais cedo, Darren Beattie, oficial do Departamento de Estado e responsável por assuntos relacionados ao Brasil, deixou o hotel. Questionado por jornalistas, Beatie não confirmou a agenda de Flávio com Trump e também não disse se tinha se encontrado com a família Bolsonaro.

Conselheiro de Trump, Beattie teve o visto negado para entrada no Brasil e adicionou um novo ponto de atrito diplomático. A decisão foi anunciada por Lula, que afirmou que a decisão é uma resposta ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Na agenda, Beattie tinha como objetivo visitar Jair Bolsonaro na prisão. Ele é próximo a Eduardo e Paulo.

Figueiredo afirma que Flávio está na cidade para uma série de reuniões e que um dos principais temas apresentados é o pedido para que o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) sejam classificados pelos EUA como "organizações terroristas estrangeiras". Ele disse que já existe documentação entregue às autoridades americanas e afirmou que o grupo de políticos, que inclui Eduardo Bolsonaro, tenta "reverter" uma suposta atuação do Lula (PT) sobre o tema. Lula, que esteve nos EUA há três semanas, afirmou que a designação de facções como terroristas não esteve presente no encontro do dia 7 de maio, mas que foi apresentada uma proposta de cooperação entre os EUA e Brasil para combate ao crime organizado. Além de Eduardo e Paulo, deputados do PL também aguardavam a agenda nesta terça no lobby do hotel.

O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG) afirmou que a segurança pública é um dos assuntos que seriam tratados na Casa Branca. "O governo Lula tem resistência em tomar uma postura óbvia e necessária de categorizar o crime organizado no Brasil, em especial PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas", disse. O possível encontro entre o senador e o governo americano foi alimentado por aliados de Flávio em meio a um momento delicado da pré-campanha do PL. Como revelou o site The Intercept Brasil, Flávio pediu recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O empresário chegou a investir R$ 61 milhões na produção. Desde então, o senador tenta conter os danos políticos do episódio e enfrenta uma crise de confiança entre aliados. Na primeira pesquisa Datafolha divulgada após a repercussão do caso, Lula ampliou de 3 para 9 pontos percentuais sua vantagem sobre Flávio em uma simulação de primeiro turno: 40% a 31%. Embora incomum, esta não seria a primeira vez que Trump receberia na Casa Branca um político estrangeiro que não ocupa o cargo de chefe de Estado.

No ano passado, o republicano recebeu Karol Nawrocki, então candidato à Presidência da Polônia, antes do primeiro turno da eleição no país. Após o encontro, Nawrocki afirmou que Trump lhe disse: "Você vai ganhar". A reunião provocou críticas na Polônia e acusações de interferência americana no processo eleitoral. O encotro realizado neste mês de Trump com Lula na Casa Branca durou três horas e, segundo relatos de ambos os governos, teve saldo positivo.

Foram discutidas tarifas comerciais, criada uma mesa de trabalho bilateral e apresentada, pelo Brasil, uma proposta de cooperação na área de segurança pública. Após a visita, Lula afirmou não acreditar em uma interferência de Trump no processo eleitoral brasileiro e confiar no respeito mútuo entre os dois países nesse tema. Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

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