Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril. O ser humano é apaixonado por listas — uma fascinação antiga analisada em um livro magistral do escritor italiano Umberto Eco e reproduzida ad nauseam na internet. Na lista da alimentação ideal postada nas redes sociais, pululam dietas, umas mais, outras menos escoradas em pesquisas. Nos últimos anos, só para citar algumas, ganharam terreno a bíblica, a carnívora, a das canetas emagrecedoras.
Outra lista famosa nos domínios da nutrição é a dos ingredientes que merecem lugar cativo no dia a dia e aqueles que devem ser escanteados. Vivemos a ascensão da proteína, o desprestígio do carboidrato, o boom da creatina e o apego ao colágeno. Também existem listas indigestas. Como a das doenças que mais roubam qualidade e expectativa de vida da população.
Entram nela os problemas cardiovasculares, a obesidade, o diabetes e o câncer. Mas, se a gente pegasse todos esses inventários — alguns com mais sustança, outros nem tanto — e os batesse no liquidificador da ciência, a receita desandaria. Incensamos dietas e ingredientes supostamente fabulosos e, ainda assim, colhemos ameaças à saúde. Porque faltou um item poderoso na receita.
Não tem mistério: elas estão em frutas, legumes, verduras, cereais e grãos integrais. Só que vêm sendo deixadas de fora do prato do brasileiro, como comprovam estudos recentes. Ocorre que, se tem um nutriente — e há quem diga que elas não são bem um nutriente, talvez sejam até um antinutriente, mas pra lá de benéfico — consistentemente associado à prevenção das principais doenças crônicas da atualidade, são as fibras. Seus diferentes tipos fazem toda a diferença para o equilíbrio intestinal — muito além da libertação da prisão de ventre.
E, a partir dessa interação com a comunidade de bactérias que mora ali no aparelho digestivo, desencadeiam processos protetores dos vasos sanguíneos e de muitos outros órgãos e tecidos do corpo. Da pele ao cérebro, como os cientistas vêm descobrindo. Tem mais: o consumo regular dessas substâncias ajuda a evitar uma das maiores preocupações na saúde pública global, o crescimento alarmante dos casos de câncer de intestino, sobretudo entre adultos jovens. Passou da hora, portanto, de ampliarmos a conscientização sobre a importância das fibras.
Até porque não há segredo — embora, sim, existam entraves práticos, até financeiros, em jogo — para incorporá-las ao cardápio, como mostra a reportagem de capa da jornalista Ingrid Luisa. E aí, já botou as fibras na sua lista de prioridades?