Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril. A farmacêutica brasileira Eurofarma anunciou nesta quarta-feira, 18, que irá reduzir os preços de suas “canetas emagrecedoras” à base de semaglutida. Os medicamentos são comercializados pela empresa nacional desde o ano passado, graças à uma parceria com a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy. As versões nacionais possuem exatamente a mesma fórmula das suecas e, por isso, são consideradas medicamentos originais.
Segundo Andréa Frazão, diretora de Prescrição Médica na Eurofarma, o novo valor deverá entrar em vigor nas próximas semanas. Por meio do Programa EuroCuida, os produtos terão uma redução de até 48% em relação aos valores anunciados em abril deste ano. Entre as novidades, os pacientes poderão adquirir o Poviztra, indicado obesidade e sobrepeso, por um preço de R$ 295 por caixa nas dosagens iniciais. O produto é a versão brasileira do Wegovy.
Também fará parte do programa de descontos o medicamento Extensior, versão do Ozempic, recomendado para o diabetes tipo 2. A redução de preços da Eurofarma foi anunciada na mesma semana em que a concorrente EMS colocou no mercado o Ozivy, sua versão sintética da semaglutida. A caneta da EMS chegou às farmácias com preço sugerido a partir de R$ 452, caindo, com descontos do programa de adesão Vida+Leve, para R$ 287 por mês nos três primeiros meses de tratamento. Pelo programa Eurocuida, o paciente pode começar o tratamento com um kit com duas caixas: uma de Poviztra 0,25 mg, usada no primeiro mês, e outra de 0,5 mg, dose normalmente adotada na etapa seguinte do tratamento.
Antes, esse combo custava R$ 599. Além disso, para a etapa seguinte, a caixa de 1 mg — correspondente ao terceiro mês de tratamento — era vendida também por R$ 599. Agora, o kit inicial passa a custar R$ 590, uma redução pequena mesmo, de 2%. Já a caixa de 1 mg cai para R$ 309, um desconto de 48%.
Assim, ao todo, o gasto nos três primeiros meses do tratamento passa de R$ 1.198 para R$ 899. Além disso, o programa vai oferecer preços especiais para quem desejar adquirir caixas separadamente. No caso do Extensior (Ozempic), a economia também vale para os três primeiros meses de uso. O custo total do período cai de R$998 para R$708.
Separadamente, a caneta de dose dupla (0,25 mg e 0,5 mg) passa de R$819 para R$445 — o que poderia significar R$227,50 ao mês —, enquanto a versão de 1 mg cai de R$ 849 para R$ 490. Segundo Frazão, o programa ainda deverá ser ampliado. “A nossa ideia é que esse movimento anunciado hoje se estenda para mais doses e que ele cubra de fato a jornada do paciente como um todo“, afirmou. Mas os próximos passos ainda deverão passar por análises e não há data prevista para acontecerem.
“As decisões sobre preços acompanham sempre um modelo bastante estruturado de redução de preços de modo que o programa seja sustentável“, destaca a diretora. Nenhuma das versões é considerada um medicamento genérico. A Novo Nordisk, pioneira no registro da semaglutida no Brasil, optou por um registrá-lo como produto biológico. Essa categoria engloba fármacos feitos a partir de células vivas, o que lhe confere uma estrutura de alta complexidade e, em tese, impossibilita que ele seja 100% reproduzido.
Por isso, por definição regulatória, medicamentos biológicos não admitem genéricos no Brasil, ao contrário dos sintéticos. O que existe, nesse caso, são os biossimilares: produtos altamente semelhantes ao medicamento de referência, mas não idênticos a ele, obtidos também por processo biotecnológico e sujeitos a aprovação específica pela Anvisa. Acontece que nem a semaglutida da EMS e nem da Eurofarma se enquadram nesse perfil. As versões da Eurofarma não são biossimilares nem genéricos: são produtos compostos pela próprio molécula de semaglutida biológica.
A criada pela Novo Nordisk mesmo. Já a semaglutida da EMS é obtida por síntese química em fase sólida, um método moderno, altamente controlado e capaz de produzir moléculas com elevado grau de pureza. Por isso, ele não é um genérico, porque genéricos de biológicos não existem; e também não é um biossimilar, já que não foi produzido por síntese biológica. O enquadramento regulatório, portanto, é o de medicamento novo, mesmo que com ingrediente ativo já conhecido.