Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril. No Brasil, o donut, sobremesa de origem norte-americana, é um grande sucesso: dados do Instituto Foodservice Brasil (IFB) mostram que os consumidores gastaram quase 660 milhões de reais com a compra do produto em apenas um ano, entre março de 2025 e o mesmo mês de 2026. Jovens entre 25 e 34 anos correspondem a mais da metade do público, e 70% deles são mulheres, segundo o levantamento. A nutricionista Risoneide Calazans, diretora-secretária do Conselho Federal de Nutrição, explica que nos últimos anos houve uma maior exposição à publicidade digital e forte influência de tendências alimentares internacionais.

Por isso, produtos e alimentos tradicionalmente associados a outros países passaram a ocupar espaço crescente no cotidiano alimentar dos brasileiros. Mas por que será que gostamos tanto das rosquinhas de massa frita decorada (e/ou recheada!) com doce? Bom, do ponto de vista científico, esses produtos englobam diversas características sensoriais que contribuem para sua atratividade. “Em geral, combinam textura macia, recheios cremosos, coberturas açucaradas e elevada densidade energética, produzindo uma experiência sensorial intensa“, afirma a especialista.

E o segredo maior é algo que não existe na natureza: uma mistura de alta quantidade de açúcar e gordura no mesmo alimento. Pense: fontes naturais de açúcar (carboidratos) são pobres em gordura, como arroz, pão e frutas. Já alimentos ricos em gordura, como carnes, abacate ou oleaginosas, quase não tem açúcares. Mas o donuts junta os dois.

Calazans esclarece que essa fórmula estimula mecanismos cerebrais relacionados à recompensa e ao prazer alimentar, aumentando a atratividade do alimento. Não à toa a tática é muito usada pela indústria nos alimentos ultraprocessados.”Essa combinação favorece a hiperpalatabilidade, conceito utilizado para descrever alimentos formulados para maximizar a atratividade sensorial e estimular o consumo”, completa. +Leia Também: Estudo inédito do Lancet pede ação contra o poder dos ultraprocessados Outro aspecto que faz os donuts serem um sucesso de vendas é o seu aspecto visual instagramável.

Mesmo que a pessoa nem coma o doce por inteiro, performar nas redes sociais também virou um objeto de desejo. “Os donuts costumam apresentar cores vibrantes, coberturas elaboradas e formatos visualmente atrativos, características que despertam curiosidade, desejo de experimentação e compartilhamento em redes sociais“, corrobora a nutricionista. Além disso, fatores como aroma, aparência, contexto social, disponibilidade do alimento e estímulos ambientais também influenciam o comportamento de não querer comer apenas um. “Escolhas alimentares são influenciadas por fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais, e não apenas pela fome”, crava.

Contexto alimentar vale muito mais que um alimento isolado, fato. Mas é possível fazer melhores escolhas dentro da categoria donuts. Por exemplo: produtos artesanais, produzidos inteiramente numa doceria, são bem melhores que donuts industriais, ultraprocessados. “Esses costumam apresentar elevadas quantidades de açúcares adicionados, gorduras e aditivos alimentares, além de baixo valor nutricional quando comparados a alimentos in natura e minimamente processados”, detalha Calazans.

Ela acrescenta que a preocupação em saúde pública com o crescimento do sucesso desse doce está relacionada à substituição progressiva de alimentos tradicionais e preparações culinárias por ultraprocessados. Mas, se o produto for artesanal e você consumir com moderação, está liberado se deliciar com um bom donut!