'Chefão' do Instagram nega que redes sociais causem dependência clínica O presidente-executivo do Instagram, Adam Mosseri, rejeitou a noção de que as redes sociais causem "dependência clínica". Em vez disso, preferiu o termo "uso problemático" ao depor, nesta quarta-feira (11), durante o terceiro dia do julgamento histórico contra a Meta e o Google em Los Angeles. A Meta, dona do Instagram e do Facebook, e o YouTube, pertencente ao Google, são acusados de desenvolverem propositalmente produtos viciantes para crianças com o objetivo de aumentar seus lucros. A ação foi proposta por uma jovem americana, identificada como Kaley G.M., que diz ter sido afetada pelas redes durante sua infância e adolescência. O processo, no entanto, não envolve só o caso dela. Cerca de 800 pessoas estão envolvidas na ação judicial, disse Carolina Rossini, especialista em Direito da Tecnologia e professora na Escola de Direito na Universidade de Boston, ao podcast O Assunto, na quarta-feira (12). "Nos EUA, tem um procedimento específico que, se existem vários casos semelhantes, a Corte pode trazer esses casos conjuntamente", afirmou. "Nesse caso, a gente tem por volta de 800 demandas reunidas sendo representadas pelo caso da KGM. E essa decisão vai ser vinculante a esses outros 800 demandantes", explicou. A decisão do caso poderá criar um precedente judicial para dezenas de processos judiciais enfrentados pelas redes sociais. Vários pais que afirmam que as redes sociais levaram à morte de seus filhos se sentaram na primeira fila do público no tribunal nesta quarta. Governo brasileiro diz que X não comprovou que agiu contra imagens eróticas do Grok Conceito de vício O conceito de dependência é a chave neste julgamento. "Acho importante diferenciar entre dependência clínica e uso problemático", disse Mosseri, segundo a France Presse. O executivo foi questionado sobre o que achava de Kaley G.M. ter usado o Instagram por 16 horas em um único dia. "Isso soa como um uso problemático", afirmou, conforme reportou a BBC. "Tenho certeza de que disse que estava viciado em uma série da Netflix quando a maratonei até muito tarde da noite, mas não acho que isso seja o mesmo que uma dependência clínica", acrescentou Mosseri. Entenda o julgamento contra a Meta e o Google e o que cada lado diz Roblox, Discord, YouTube...: redes adotam verificação de idade após pressão; veja como funciona Na véspera, um advogado do YouTube afirmou que a plataforma "não quer deixar as pessoas viciadas mais do que elas ficariam em bons livros ou em aprender coisas novas", segundo a AFP. Filtros de foto A autora do processo, identificada como Kaley G. M., alega que as plataformas contribuíram para sua depressão e dismorfia corporal. Hoje com 20 anos, ela conta na ação que começou a usar o YouTube aos seis e entrou no Instagram aos 11, antes de passar para o Snapchat e o TikTok dois ou três anos depois. Segundo a Reuters, um porta-voz da Meta afirmou na terça que “as provas mostrarão que ela enfrentou muitos desafios significativos e difíceis muito antes de usar redes sociais”. A agência reportou ainda que Mosseri foi questionado sobre ter revogado a proibição do uso de filtros de imagem que imitavam os efeitos da cirurgia plástica no Instagram. De acordo com a Reuters, e-mails apresentados em juízo mostram que, em 2019, ele e outros integrantes do comando da rede social discutiam se deveriam suspender a proibição desses filtros. Redes sociais vão a julgamento nos Estados Unidos Equipes do Instagram que trabalhavam com políticas, comunicação e bem-estar preferiam manter a proibição enquanto coletavam mais dados sobre possíveis danos a meninas adolescentes. “Seríamos — com razão — acusados de colocar o crescimento acima da responsabilidade”, disse Nick Clegg, então vice-presidente de assuntos globais da Meta, de acordo com e-mails exibidos no tribunal. Mosseri e Zuckerberg preferiam reverter a proibição, mas retirar os filtros da seção de recomendações do aplicativo — uma opção descrita nos e-mails como apresentando “um risco significativo ao bem-estar”, mas com menor impacto no crescimento de usuários. “Eu estava tentando equilibrar todas as diferentes considerações”, disse Mosseri no tribunal, acrescentando que concordou com a decisão final de proibir filtros que promovem cirurgia plástica. “Nossas políticas, assim como nossos produtos, evoluem o tempo todo. Tentamos nos concentrar nas questões mais importantes”, afirmou. Pais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos à morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles Ethan Swope/Getty Images/AFP Zuckerberg também vai depor Mosseri foi a primeira figura importante do Vale do Silício a depor perante o júri de 12 integrantes. Ele também rejeitou a ideia de que a Meta priorizasse seus lucros em detrimento da segurança de seus usuários. "Proteger os menores a longo prazo é bom até mesmo para os negócios e para os lucros", afirmou. O depoimento do presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, está previsto para o próximo dia 18. No dia seguinte deve falar o chefe do YouTube, Neil Mohan. Lori Schott, mãe da jovem que acusa do Instagram e o YouTube de serem programados para viciar crianças e adolescentes Ethan Swope/Getty Images/AFP Adam Mosseri, CEO do Instagram, chega a tribunal em Los Angeles para depor em julgamento onde a rede social e o YouTube são acusados de serem programados para viciar crianças e adolescentes Ethan Swope/Getty Images/AFP Adam Mosseri, chefe do Instagram, em foto de 8 de dezembro de 2021, tirada em Washington, D.C., Estados Unidos. REUTERS/Elizabeth Frantz Veja mais: Roblox, Discord, YouTube e mais: redes adotam verificação de idade com selfie após pressão; veja como funciona SpaceX, xAI, X, Starlink... entenda a relação entre empresas de Musk