O Instagram finalmente passará a permitir que o usuário tenha mais controle sobre os posts que vê no feed principal através da ferramenta “Seu Algoritmo”. A função oferece informações sobre quais tópicos a rede social associou ao perfil das pessoas e possibilita o ajuste manual. Dessa forma, o Instagram deixa de depender apenas de sinais indiretos, como curtidas, tempo de visualização e compartilhamentos, e passa a permitir uma intervenção direta do usuário. A novidade chegou primeiro ao Reels, nos Estados Unidos, em 2025.
Não há confirmação de quando a ferramenta será introduzida no Brasil. O chefe da rede social, Adam Mosseri, reconheceu, em publicação no Threads, que as plataformas reduziram a autonomia dos usuários ao longo dos últimos anos. Segundo ele, os feeds passaram a ser dominados por publicações de contas que as pessoas nunca escolheram seguir. Ele menciona que o Instagram passou a trazer recomendações ao fim do feed em 2020 e passaram a ser misturadas à página inicial no ano seguinte.
“Um feed onde apenas um em cada cinquenta amigos publica um momento perfeito não é interessante, e as recomendações algorítmicas preencheram essa lacuna”, afirmou. Na avaliação de Mosseri, a mudança — que ocorreu durante um movimento geral das redes em direção ao modelo do TikTok — foi uma faca de dois gumes. O custo que nós, como indústria, não levamos em consideração adequadamente é o impacto que isso teve na autonomia das pessoas. […] quem você segue costumava ser uma ferramenta importante para moldar sua própria experiência, e, à medida que as recomendações dominaram o feed principal, essa ferramenta silenciosamente deixou de funcionar.
No anúncio, Mosseri não trouxe novidades sobre o funcionamento da ferramenta, mas ela deve seguir o mesmo estilo do Seu Algoritmo para o Reels. Nele, o Instagram exibe os temas que acredita serem relevantes para o usuário, com base nos conteúdos consumidos. A partir dessa lista, é possível remover assuntos indesejados ou adicionar novos interesses. A ideia é tornar visível uma parte do funcionamento do algoritmo, permitindo que o usuário corrija ou complemente as interpretações dele em vez de apenas inferir gostos a partir do comportamento.
Até o momento, a única forma de influenciar o algoritmo era sinalizando não haver interesse naquele tipo de conteúdo, restringindo perfis ou, mais extremo, denunciando publicações. Tudo isso, entretanto, tem que ser feito individualmente, em cada post. Por enquanto, o ajuste funciona por tópicos, mas o Instagram já trabalha para ampliar esse controle. A plataforma quer permitir que o usuário dê comandos mais específicos, incluindo preferências relacionadas a perfis, formatos de mídia e diferentes estilos de conteúdo — talvez algo próximo ao que fez o Spotify, recentemente.
Segundo Mosseri, a IA poderá, no longo prazo, personalizar a própria experiência do usuário dentro do aplicativo, adaptando recursos e interfaces de acordo com cada pessoa. O executivo ponderou que esse nível de personalização pode reduzir experiências compartilhadas dentro das redes sociais. Ainda assim, defendeu que a busca por conexão e vivências em comum continuará influenciando o desenvolvimento dos produtos.