Milhares de terremotos acontecem todos os dias ao redor do mundo, sendo a maioria imperceptível para humanos. Eles são gerados pela liberação de energia acumulada pelo atrito entre placas tectônicas. Quando essa liberação abrupta de energia gera ondas sísmicas potentes, grandes terremotos chegam à superfície do planeta. Um exemplo é o terremoto de Tohoku, ocorrido em março de 2011 no Japão.

Ele é o mesmo responsável por gerar o tsunami que atingiu a usina nuclear Fukushima Daiichi, resultando num dos maiores desastres nucleares da história. Além desse trágico histórico, pesquisadores descobriram que o megaterremoto também causou o deslocamento do país inteiro a alguns milímetros na direção leste (direita). Segundo estudo publicado hoje na revista científica Science, a explicação para o fenômeno seria uma onda sísmica que atingiu o núcleo do planeta e retornou, provocando o deslizamento de falhas geológicas. Esse é o primeiro caso registrado de uma onda refletida pelo núcleo da Terra (onda ScS) que atinge uma falha geológica em movimento.

Como reportou a Science News, ela foi identificada quando a sismóloga Sunyoung Park e seus colegas estudavam os dados sísmicos e de GPS do terremoto Tohoku. Junto à passagem da onda, que ocorreu 13 minutos após o tremor principal, há o registro de um deslocamento coincidente do solo em diferentes sensores de GPS espalhados pelo Japão. O fenômeno é descrito como tendo ocorrido no país todo pelo fato de que as mudanças foram registradas desde a ilha de Hokkaido, ao norte, até a ilha de Kyushu, no sul. Para os cientistas, foi um claro sinal de que uma extensa região da fronteira entre placas tectônicas deve ter se rompido, gerando um deslocamento para leste de até 5 a 6 milímetros.

Registro da altura das ondas, em centímetros, do tsunami gerado pelo terremoto Tohoku em diferentes partes do Japão Eastwind41/Wikimedia Commons Alertas para novos riscos “Tal desencadeamento por onda ScS é uma fonte de risco sísmico até então desconhecida, que pode potencialmente (re)ativar a área do choque principal e as interfaces do megaterremoto circundantes”, descrevem os autores no artigo, que levantam um alerta para novas possibilidades sobre consequências de deslizamentos provocados por ondas refletidas. Eles ressaltam a necessidade de se considerar essa “nova” fonte de risco sísmico, mesmo dezenas de minutos após o tremor.