Se você, leitor da GALILEU, acompanha mensalmente nossa seção “Quer Que Eu Desenhe”, já deve ter percebido como a intersecção entre ciência e arte pode render bons. Afinal, muitos assuntos se tornam mais fáceis de se compreender quando eles estão literalmente desenhados. Isso envolve também o trabalho de recriar a aparência de animais pré-históricos, por exemplo. Um novo trabalho artístico reconstituiu o Rhinoceros sinhaleyus (ancestral de rinoceronte extinto entre 12,5 mil e 8 mil anos atrás) e o Palaeoloxodon namadicus sinhaleyus (parede dos elefantes modernos extinto entre 12 mil e 10 mil anos atrás), espécies da megafauna que viviam no atual território do Sri Lanka.

A partir de análises dos seus fósseis, comparações com animais vivos e modelagem digitais, foram criadas imagens tridimensionais de ambos por meio da paleoarte. Detalhes sobre a técnica e o processo foram publicados na revista Palaeontologia Electronica no dia 22 de abril. “Imagine os filmes da Era do Gelo, mas com base científica”, disse Jason Kennedy, da Universidade de Tecnologia de Auckland (Nova Zelândia), em comunicado. “Ao reconstruir esses animais, cada decisão que tomamos foi baseada em evidências disponíveis e inferências fundamentadas”. Para ele, a paleoarte é uma maneira de se trazer “à vida” espécies há muito mortas e, por vezes, extintas.

Além disso, trata-se de uma representação artística que precisa estar diretamente ligada à ciência e não apenas ser visualmente atraente aos telespectadores. As imagens em 3D permitirão aos pesquisadores observar a postura, a locomoção e o comportamento em ação desses animais. Mas, para Kennedy, a proposta vai além: “o material será útil não apenas para pesquisa, mas também para interpretações em museus, educação e engajamento do público”. O mamífero "Palaeoloxodon namadicus sinhaleyus" é uma das espécies da megafauna do Sri Lanka que foi digitalmente reconstruído

Jason Kennedy e Aravinda Ravibhanu Sumanarathna As imagens atuais são as primeiras atualizações visuais desses animais em 70 anos, época em que seus fósseis foram descobertos, e as primeiras a usar técnicas de animação 3D para reconstruí-los. Trata-se, como documentado no artigo, de um processo que envolve a colaboração transparente entre paleontólogos e paleoartistas. “Esta pesquisa também contribui para um conjunto pequeno, mas crescente, de estudos que visam estabelecer as melhores práticas, metodologias robustas e revisão por pares para a própria paleoarte”, contou Kennedy. Isso quer dizer que novas descobertas de fósseis serão submetidas aos mesmos processo de criação tridimensional, “o que estabelece um padrão mais elevado para a forma como a vida extinta é apresentada ao público”.