Durante muito tempo, fazer intercâmbio foi associado à ideia de viajar, conhecer novas culturas e viver situações fora da rotina. Hoje, porém, a experiência internacional parece ocupar um papel diferente na vida dos brasileiros: cada vez mais, ela é vista como um investimento em formação acadêmica e profissional. Essa mudança de percepção ajuda a explicar por que o inglês continua sendo a principal escolha de quem decide estudar no exterior. Para Bruno Henrique de Barros, consultor pedagógico de idiomas do Cebrac Cursos Profissionalizantes, a procura pelo idioma está ligada às exigências de um mercado de trabalho cada vez mais conectado globalmente.
“Hoje o inglês não é mais um diferencial no currículo. Ele é obrigatório! E quando observamos esse crescimento conseguimos ver que existe uma busca cada vez maior por experiências que tenham no mesmo pacote o idioma, a vivência cultural e a preparação para oportunidades nos mercados internacionais”, afirma. Os números parecem confirmar essa tendência. Dados do Selo Belta 2026, pesquisa nacional realizada com estudantes e empresas do setor de intercâmbio conduzida pela Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta), mostram que 67,8% dos brasileiros escolheram o inglês como idioma estudado em sua primeira experiência de aprendizagem internacional. O espanhol aparece em segundo lugar, com 19,9%, enquanto francês, alemão e italiano somam percentuais menores nas escolhas.
O levantamento também indica que a preferência pelo inglês permanece mesmo entre pessoas que já realizaram intercâmbios anteriormente. Nesse grupo, o idioma foi escolhido por 47,3% dos participantes. Mas a pesquisa indica que o idioma é apenas uma parte da experiência. Entre os principais objetivos apontados pelos estudantes, o mais citado foi a possibilidade de vivenciar uma experiência internacional que combine estudo, trabalho e turismo.
O desejo de conhecer países e culturas diferentes e o interesse em investir em idiomas aparecem logo em seguida. Canadá segue líder e países europeus ganham força Se o inglês continua dominando as escolhas da língua estudada, os destinos preferidos dos brasileiros também revelam algumas tendências. O Canadá permanece como o principal destino de intercâmbio entre brasileiros pelo 11º ano consecutivo, mantendo uma liderança consolidada.
Estados Unidos e Reino Unido aparecem logo atrás, mas a distância entre os dois países diminuiu nos últimos anos. Países europeus também vêm ganhando destaque. Malta ultrapassou a Austrália no ranking e ficou na quinta posição, enquanto Espanha e Itália passaram a aparecer com mais força entre os destinos buscados pelos estudantes brasileiros. Segundo Alexandre Argenta, presidente da Belta, esse movimento sugere que os intercambistas estão mais atentos a fatores como custo-benefício, qualidade de vida e possibilidades de circulação internacional.
Confira o ranking das dez nações preferidas pelos intercambistas brasileiros: Um mercado em crescimento A expectativa do setor é que essa procura continue em ritmo acelerado. Entre as agências consultadas pela pesquisa, 72,9% projetam um crescimento na demanda por intercâmbio ao longo deste ano, no qual o mercado espera atingir uma média de 16,6% de crescimento no fluxo de estudantes.
Segundo Alexandre Argenta e Bruno Henrique de Barros, esse crescimento reflete uma mudança estrutural no perfil dos estudantes, que deixaram de ver o intercâmbio apenas como turismo ou uma vivência pontual. Para os profissionais, a experiência no exterior passou a fazer parte do planejamento de carreira dos brasileiros, funcionando como um investimento estratégico para adquirir novas competências e disputar vagas em um mercado de trabalho globalizado.