Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril. As Pirâmides de Gizé, localizadas na região metropolitana do Cairo, são consideradas uma das maiores maravilhas do mundo antigo. O complexo reúne três grandes pirâmides, além de estruturas menores ao redor. Construídas há cerca de 4.500 anos no Antigo Egito, elas continuam de pé até hoje e resistiram a diversos terremotos, algo que muitos edifícios modernos não conseguem fazer.
Em 1847, por exemplo, o Cairo enfrentou um forte terremoto que deixou mortos e destruiu centenas de edifícios. Foi o maior entre vários tremores registrados na região. As pirâmides de Gizé, por outro lado, se mantiveram firmes e fortes, perdendo apenas suas pedras externas. Outro grande terremoto ocorreu em outubro de 1922, e pedras de revestimento caíram do topo da pirâmide.
Ao longo do tempo, foi inevitável que parte do revestimento original das pirâmides se perdesse, mas suas estruturas centrais permanecem intactas. A maior delas, conhecida como Grande Pirâmide, originalmente tinha cerca de 146 metros de altura. Hoje, mede aproximadamente 137 metros, um sinal do desgaste causado pelos séculos – mas ainda impressionante para uma construção tão antiga. Para efeito de comparação, um prédio de 20 andares costuma ter cerca de 70 metros de altura.
A resistência dessas construções intriga cientistas e arquitetos há décadas. Algumas explicações já eram conhecidas, como a base fortificada e o formato piramidal, que concentra grande parte da massa próxima ao solo e reduz o centro de gravidade da estrutura. As juntas entre os blocos de pedra também ajudam a dissipar a energia sísmica dos terremotos. Ainda assim, faltavam respostas mais detalhadas.
Agora, um novo estudo, publicado no dia 21 de maio no periódico científico Scientific Reports, acrescentou mais peças a esse quebra-cabeça. Os pesquisadores concluíram que a Grande Pirâmide parece ter sido especialmente projetada para suportar terremotos, demonstrando um grande conhecimento geotécnico. Basicamente, a estrutura consegue reduzir a intensidade das frequências externas geradas pelos tremores, controlando seus efeitos. Os cientistas utilizaram uma técnica de análise de vibrações chamada Método de Nakamura, formalmente conhecida como HVSR (Horizontal-to-Vertical Spectral Ratio).
O método mede vibrações naturais do ambiente para entender o comportamento sísmico de uma estrutura. As medições foram feitas em 37 pontos da Grande Pirâmide, incluindo câmaras internas, poços de ventilação, passagens, blocos de construção e o solo ao redor do monumento. O resultado chamou atenção: em todos os pontos analisados dentro da pirâmide, as vibrações permaneceram muito semelhantes, variando entre 2 e 2,6 hertz. Isso indica que a construção possui uma estrutura extremamente homogênea, capaz de distribuir tensões sísmicas durante um terremoto.
Em edifícios, é comum existirem as chamadas “zonas frágeis”, regiões com padrões diferentes de vibração. Durante um terremoto, a energia sísmica se concentra nesses pontos, aumentando o risco de rachaduras e colapsos estruturais. Segundo o estudo, a Grande Pirâmide não apresenta essas zonas frágeis, o que ajuda a explicar sua estabilidade. O terreno ao redor das pirâmides apresentou vibrações próximas de 0,6 hertz.
Isso, relacionado com a vibração média de 2,3 hertz dentro da pirâmide, é música para os ouvidos dos arquitetos. Quando um edifício possui uma frequência de vibração muito parecida com a do solo, eles podem entrar em ressonância. Nesse cenário, as energias se somam e o abalo aumenta. Como as frequências da Grande Pirâmide e do terreno são bastante diferentes, esse efeito não ocorre.
O estudo também analisou a chamada amplificação sísmica. O termo chique se refere a quando as ondas sísmicas passam de uma rocha densa para camadas geológicas mais moles, como lama. Isso diminui a velocidade de propagação das ondas, mas, por outro lado, aumenta sua amplitude, tornando a onda mais destrutiva. Os pesquisadores perceberam que, na Grande Pirâmide, essa amplificação de fato aumenta conforme a altura da estrutura cresce.
Porém, depois de aproximadamente 48 metros, ela começa a diminuir gradualmente. Isso é mais uma estratégia arquitetônica que ajuda a tornar a pirâmide ainda mais resistente a terremotos.