Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril. Animais falantes têm quatro vezes mais chances de estrelar em filmes de grande bilheteria que mulheres idosas, segundo um novo estudo feito no Reino Unido. Além disso, atores chamados Chris também têm maior presença em relação às mais velhas, ainda que com uma margem pequena. Divulgado nessa segunda-feira (25), o levantamento Age Without Limits (Idade sem limites) olhou para os cem filmes que atingiram as maiores bilheterias em cinemas britânicos nos últimos três anos.
Apenas cinco tinham mulheres maiores de 60 anos entre seus atores principais. O mais recente é Um Dia Ainda Mais Doido (2025), que tem entre suas duas protagonistas a atriz Jamie Lee Curtis, de 67 anos. Antes, veio A Substância (2024), onde a personagem de Demi Moore, 63, é demitida de um programa de TV por conta de sua idade. Já Do Jeito que Elas Querem: O Próximo Capítulo (2023) foi um dos últimos filmes de Diane Keaton, que morreu no final do ano passado aos 79 anos.
Além desses, também constam os filmes Casamento Grego (2023), com Nia Vardalos, 63, e Allelujah (2022, lançado em cinemas britânicos em 2023), com Jennifer Saunders, 67. Em comparação, seis filmes foram estrelados por atores chamados Chris – e metade eram filmes de Chris Pratt: Guardiões da Galáxia Vol. 3, Super Mario Bros. O Filme e Garfield: Fora de Casa. Um dos considerados é Zona de Interesse, com Christian Friedel, que também responde por Chris entre seus conhecidos mais íntimos. “As mulheres são metade da população, e nós envelhecemos.
Então onde estão as histórias sobre nós? Quanto mais velhas ficamos, mais interessantes somos. Quero ver mais filmes centrados em mulheres envelhecendo”, comentou a atriz britânica Emma Thompson, em comunicado. “Mulheres mais velhas não precisam de permissão para existir nas telas. Elas já existem no mundo, o cinema só precisa nos alcançar”, complementa.
O estudo também contou com uma pesquisa de opinião, que questionou 4 mil adultos britânicos sobre a presença de atores e atrizes mais velhos nas telonas. De acordo com os resultados, um terço dos entrevistados (33%) acredita que não há filmes o suficiente estrelando mulheres acima de 60. O número é de 39% quando são levadas em conta apenas as respostas de mulheres. Por outro lado, apenas 3% dos participantes responderam que haviam filmes demais do tipo sendo lançados.
Além disso, um a cada cinco (20%) acreditavam que não havia filmes o suficiente estrelando homens com mais de 60 anos. O Age Without Limits é um projeto da Centre for Ageing Better, uma caridade britânica focada no combate ao etarismo, isto é, a discriminação contra pessoas baseada na idade. “Infelizmente, isso não acontece apenas no cinema. Em muitas formas de mídia, em diferentes setores profissionais e esferas da vida pública, a contribuição de mulheres mais velhas é minimizada, marginalizada e ignorada”, disse Carole Easton, presidente da caridade. “Todos nós devemos lutar contra o etarismo e sua intersecção com o sexismo, dizendo aos guardiões da cultura que queremos ver todos os aspectos e fases da vida representados naquilo que assistimos, ouvimos e lemos”, continua.
O novo estudo dá seguimento ao projeto Cast Aside, divulgado pela primeira vez em 2023 pelo Centre for Ageing Better. Olhando para mais de 1.200 personagens, a pesquisa avaliava para a presença de pessoas mais velhas em filmes britânicos lançados entre 2010 e 2022. No estudo, personagens femininas acima de 65 anos apareciam três vezes menos que personagens masculinos na mesma faixa de idade. Além disso, mulheres acima de 50 tendiam a falar 14% menos nos filmes analisados.
Os pesquisadores também apontaram que era raro ver mulheres mais velhas caracterizadas como pessoas empoderadas ou ativas. Em contrapartida, as caracterizações mais comuns eram passivas, ridicularizantes, dignas de dó, agiam de maneiras discrepantes à própria idade e eram irrelevantes para a trama principal. “Ao falhar em representar adequadamente as pessoas idosas, e mulheres idosas em particular, a indústria cinematográfica está participando ativamente na marginalização dos mais velhos na sociedade”, disse Harriet Bailiss, que coliderou a campanha Age Without Limits. “Para muitas pessoas idosas que passaram a questionar o próprio valor ao internalizar o etarismo que veem ao seu redor todos os dias, essa falta de representatividade reforça a ideia de que os idosos importam menos à medida que envelhecem. Não é a toa que tantas mulheres falem sobre se sentirem invisíveis com o passar dos anos, quando não se veem refletidas na cultura popular ou na publicidade”, completa.