A imagem pública de Israel enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center em 36 países mostra que, em média, 67% dos entrevistados têm uma opinião desfavorável sobre o país, enquanto apenas 25% manifestam uma visão positiva. O estudo também aponta uma ampla falta de confiança no primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para lidar com assuntos internacionais. Os dados foram coletados entre os dias 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026.
Segundo o centro de pesquisas, a maior parte das entrevistas ocorreu após o início da campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o que significa que as opiniões expressadas nas entrevistas podem ter sido fortemente influenciadas por esse cenário de novo conflito. Visão de Israel por outros países Em termos geopolíticos, o levantamento revela que as avaliações negativas sobre Israel predominam em praticamente todas as regiões pesquisadas. Nos países de maioria muçulmana incluídos no estudo — como Bangladesh, Indonésia, Malásia, Paquistão e Turquia — os índices de rejeição estão entre os mais elevados.
Na Europa, a situação também é desfavorável para o governo israelense. Em países como Itália, Holanda e Espanha, cerca de metade da população ou mais afirma ter uma visão "muito desfavorável" de Israel. O cenário é diferente em parte da África Subsaariana. Quênia, Gana e Nigéria aparecem entre os países onde as avaliações positivas sobre Israel são relativamente mais frequentes.
A pesquisa encontrou um padrão semelhante quando o assunto é Benjamin Netanyahu. Em grande parte dos países analisados, a maioria dos entrevistados afirma ter pouca ou nenhuma confiança no primeiro-ministro israelense. Apenas Quênia e Filipinas registraram maioria favorável ao líder. Percepção dos brasileiros
O Brasil acompanha a tendência observada em boa parte do levantamento. Segundo o Pew Research Center, 66% dos brasileiros têm uma opinião desfavorável sobre Israel, enquanto 32% expressam uma avaliação positiva. Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante visita do ex-presidente ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, território ocupado por Israel desde 1967 Alan Santos/Agência Brasil
A percepção sobre Netanyahu também é predominantemente negativa. Cerca de 64% dos entrevistados no país afirmam ter pouca ou nenhuma confiança no primeiro-ministro israelense para conduzir questões internacionais. Apenas 34% declaram algum grau de confiança. Os dados colocam o Brasil próximo da média global observada pela pesquisa, marcada por avaliações mais críticas tanto em relação ao país quanto ao seu principal líder político.
Idade e posição política influenciam as percepções Além das diferenças entre países, o levantamento identificou contrastes importantes entre grupos sociais. Em diversas nações, sobretudo na América do Norte e na Europa, os jovens tendem a demonstrar posições mais críticas em relação a Israel do que os entrevistados mais velhos. Na Hungria, por exemplo, 72% das pessoas entre 18 e 34 anos têm uma visão desfavorável do país, ante 45% entre aqueles com 50 anos ou mais.
A ideologia política também exerce forte influência sobre as opiniões registradas. Nos Estados Unidos, onde a diferença é mais expressiva, 83% dos entrevistados identificados como liberais avaliam Israel negativamente, contra 37% dos conservadores. Distâncias semelhantes aparecem em países como Austrália, Grécia, Itália, Holanda, Espanha e Suécia. No Brasil, especificamente, a rejeição a Israel também varia conforme o posicionamento político.
Entre os entrevistados que se identificam com a esquerda, 66% têm opinião desfavorável sobre o país. Entre os que se posicionam à direita, o índice é de 46%. Mais uma vez, o mesmo padrão aparece na avaliação sobre Netanyahu. Em vários países, jovens e pessoas identificadas com a esquerda demonstram níveis mais elevados de desconfiança em relação ao premiê israelense.
Imagens desgastadas na comparação com 2025 A pesquisa sugere que a deterioração da imagem internacional de Israel não é um fenômeno recente, mas um processo que continuou avançando ao longo do último ano. Entre os 24 países para os quais existem dados comparáveis, 13 registraram aumento das avaliações desfavoráveis em relação a 2025. Na Argentina, por exemplo, a parcela da população com opinião negativa sobre Israel passou de 46% para 55%.
Também foram observados avanços significativos da rejeição na Austrália, Itália, Nigéria, Polônia e Reino Unido. A Grécia foi a única exceção entre os países analisados, apresentando melhora na imagem de Israel, embora apenas 30% dos gregos tenham hoje uma opinião favorável sobre o país. A confiança em Netanyahu seguiu trajetória semelhante. Em 13 dos 24 países com séries históricas disponíveis, cresceu o percentual de entrevistados que afirmam ter pouca ou nenhuma confiança no líder israelense.
A Coreia do Sul registrou a maior mudança: a taxa de desconfiança passou de 64% em 2025 para 76% em 2026. Na Itália, o índice saltou de 45% para 62%. Para os pesquisadores responsáveis, os resultados indicam que o desgaste da imagem de Israel e de sua liderança continua avançando em diferentes regiões do mundo. Isso mesmo em regiões que tradicionalmente mantinham avaliações mais equilibradas sobre o país.